Não me sinto mais de mim, ficas-te com a minha alma e apoderaste-te
de mim. Deixas-te-me aqui, deitada como se de uma morta me tratasse.
Faltava-me
o doce sabor da paixão, pois o que tinha era só o amargo da desilusão,
faltava-me o sangue irrompendo fervorosamente nas minhas veias,
faltava-me as borboletas esvoaçando sem nunca parar, faltava-me o calor
da excitação no teu olhar, faltava-me até a alegria...
Mas agora a
não sinto nada disso... As borboletas foram-se embora, o meu sangue
deixou de ser quente, em vez daquele calor, agora tenho frio.. e já nem
se quer me sinto a tremer de ânsia...
Levas-te-me tudo, só deixas-te o meu corpo quase sem vida, olhando para o vazio do nada.

Sem
vida, porque me tiras-te a paixão, o sonho, a alegria, a fúria, a
vontade, o desejo, e todas essas coisas coisas que me permitem estar
vida.
Deixaste-me sem motivos para correr.
Sinto-me sem
forças e cansada, mesmo do nada de ultimamente. Sinto-me a sufocar,
porque não sei por onde respirar, como se algo ou alguém me aperta-se o
pescoço desejando que morra...
Já não sinto nem isto nem aquilo, nem outra coisa qualquer...
Talvez
porque sei que te perdi de vez, porque sei que já não voltas por onde
sais-te, que avanças-te para novos mares, e eu continuei à deriva,
simplesmente fiquei aqui, parada, e ver-te afastar sem fazer nada,
apenas esperando que voltasses para me vires buscar..
Mas enganei-me, desta vez não voltas-te...
Isto é o que resta de mim..